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Incaper vai elaborar projeto de agricultura sustentável para o Haiti

17/07/2012 - 09h43min


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Mais do que conhecimento, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) levou esperança aos produtores rurais da região de Beaumont, no Haiti. A comitiva, que integra o projeto das Organizações das Nações Unidas (ONU) para ajudar na recuperação daquele país, retornou ao Brasil neste domingo (08).

Para Aureliano Nogueira da Costa, diretor técnico do Incaper e integrante da comitiva, a visita teve um caráter missionário. “Nos viram como salvadores. Nossa equipe foi chamada de ‘Messias’ por um produtor rural do Haiti, tamanha a expectativa, a esperança que aquele povo tem no nosso trabalho. Fomos muito bem recebidos”, alegrou-se. A comitiva capixaba foi recebida, entre outras autoridades, pelo coordenador executivo do Instituto de Café do Haiti (Incah), Jobert Angrand.

Os técnicos do Incaper fizeram um diagnóstico da região. Observou-se, por exemplo, que o manejo das lavouras era inadequado por falta de capacitação técnica, e isso refletiu diretamente na queda da produtividade. Além disso, a agricultura praticada no Haiti é de subsistência, e a proposta é de levar ao país tecnologia capaz de tornar a atividade comercial, gerando mais emprego, renda e qualidade de vida.

Foi possível observar também que o clima da região de Beaumont é semelhante ao da Região Serrana do Espírito Santo. “Com as semelhanças verificadas, a experiência do Incaper na agricultura de base familiar certamente será de grande valia. Há mais ou menos 20 anos a cafeicultura no Espírito Santo era rudimentar, sem tecnologia. Temos experiência para ajustar nossos conhecimentos à realidade do Haiti”, afirma Aureliano Nogueira da Costa.

Com base neste diagnóstico, o Incaper vai elaborar um projeto. O objetivo é implantar um sistema sustentável, associado às culturas de frutas, de florestas e de subsistência (como milho e feijão). Inicialmente, cinco haitianos virão ao Estado para serem capacitados. Ao voltarem ao Haiti, eles atuarão como multiplicadores. Cada um deve levar o conhecimento adquirido no Brasil, a pelo menos outros 40 produtores rurais haitianos. Mais de 5 mil pessoas devem ser contempladas.

Impressões

A comitiva do Incaper vivenciou o cotidiano da população de baixa renda do Haiti, e sentiu na pele a dificuldade que os produtores rurais enfrentam diariamente. “Ficamos mais de 18 horas sem qualquer alimentação. Não tinha água encanada. O poço garantia apenas quatro litros de água por dia para cada um de nós. Isso para tomar banho, escovar os dentes e todos os outros hábitos de higiene”, disse Aureliano Nogueira da Costa.

O Haiti foi devastado por um terremoto em janeiro de 2010, e passa por um processo de recuperação econômica e social. “A miséria é grande. Na feira, os alimentos são negociados sem o menor cuidado. Alguns produtos eram expostos no chão. A moeda é desvalorizada, e o escambo (troca de mercadorias) prevalece. As desigualdades sociais são enormes”, impressionou-se Aureliano.

“Há uma enorme necessidade de manter os filhos no campo, o êxodo rural é muito grande. As mães cortam as plantas, os pés de café, inclusive, para fazer lenha. Vendem o carvão para tentar educar os filhos. No Haiti, 90% da educação é particular. É um povo batalhador. Viver do próprio trabalho para eles é um orgulho. O trabalho do Incaper é de colaborar para que a agricultura de base familiar se fortaleça e, assim, garantir mais qualidade de vida àquelas pessoas”, orgulha-se Aureliano.

Incaper integra missão da ONU

A participação do Incaper na missão da ONU é liderada pelo Governo Japonês por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). O instituto foi indicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como sendo o mais adequado para contribuir na recuperação do Haiti.

Como se trata de um acordo de cooperação, há benefícios para todos os envolvidos. “Quando se fala em tecnologia, o Japão é referência. Esta é uma boa oportunidade para mostrarmos o potencial da nossa ciência, nossa tecnologia, para todo o mundo”, disse Evair Vieira de Melo, diretor presidente do Incaper.

O acordo de cooperação técnica também abre mercado para que os produtos brasileiros, em especial os cultivados no Espírito Santo, entrem no Japão. “Ao escolher o Incaper para integrar essa missão internacional, o Japão percebeu a preocupação do Espírito Santo no que se refere à segurança alimentar. Ganhamos credibilidade, e isso abre espaço os produtos cultivados no Estado no mercado japonês”, complementou Evair.

Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação – Incaper
Eduardo Brinco/Juliana Esteves/Luciana Silvestre
Texto: Juliana Esteves
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